Agora que já dominamos a amamentação e também conseguimos lidar com os cuidados dos primeiros dentinhos, surge a próxima tarefa: escolher os primeiros sapatos. Pode parecer uma tarefa simples. A criança começa a andar à volta dos móveis, medimos o comprimento do pé e, com base nisso, escolhemos, entre os tamanhos disponíveis, uns sapatos de que gostemos visualmente. Mas não é assim tão simples, então como é afinal com estes sapatos?
Quando comprar os primeiros sapatos?
Não há, de certeza, necessidade de apressar a compra. Se a criança apenas anda agarrada aos móveis e ainda não anda sozinha de todo, então os sapatos são completamente desnecessários. É preciso que os músculos à volta do tornozelo se fortaleçam ao máximo, e a marcha descalça ajuda precisamente nisso. Idealmente, também sem meias, para que a criança possa explorar bem o mundo com as mãos e os pés.
Se, mesmo assim, precisar que a criança tenha algo nos pés para sair à rua, então os sapatinhos de pele são ideais para esse fim. Protegem bem os pezinhos, mas ao mesmo tempo não limitam os movimentos. Caso precise de uns sapatinhos para o carrinho ou para o porta-bebés, então bastam sapatinhos em tecido, que são cosidos com diferentes níveis de aquecimento e servem apenas como uma camada extra no pé, e não como proteção da planta do pé durante a marcha.
Os primeiros sapatos a sério devem ser comprados apenas quando a marcha da criança for estável, ou seja, quando a criança consegue andar sem apoio e sem ajuda das mãos, com as quais equilibra o corpo. Esta fase surge, normalmente, 3 a 6 meses depois dos primeiros passinhos, mas varia muito de criança para criança.
Que sapatos comprar?
Como já foi escrito acima, são adequados os sapatinhos de pele, que podem ser usados na rua nos meses mais quentes; em alternativa, pode usá-los, por exemplo, numa sala de brincadeiras, numa visita, etc. Assim que a marcha for estável, a melhor opção são os barefoot, os chamados sapatos descalços. São sapatos leves, macios e que não apertam os dedos, porque são suficientemente largos. Estes sapatos não têm calcanhar rígido, salto, apoio do arco plantar nem a biqueira elevada, pelo que os músculos das pernas podem trabalhar e fortalecer-se lindamente. Antigamente, recomendava-se comprar sapatos com calcanhar e salto rígidos, mas isso vai contra o desenvolvimento correto do pé e, se experimentar colocar à criança um sapato rígido e depois um sapato barefoot, vai notar uma diferença enorme. Com os “barefoot”, as crianças andam como se estivessem descalças e não estranham ter sapatos nos pés. Se lhes der um sapato rígido, então vão andar mais como palhaços, custar-lhes-á muito mais, vão levantar muito os pés e tropeçar, e isso pode influenciar a forma de andar no futuro e na idade adulta.
Ao escolher sapatos barefoot, o mais importante é o tamanho, para que o sapato não fique nem demasiado pequeno nem demasiado grande. Idealmente, com uma folga de cerca de 1 cm no comprimento e 4 mm na largura. Terá a maior garantia se for a uma loja física, onde a criança pode experimentar os sapatos e onde a equipa formada lhe poderá aconselhar o mais adequado.
Tudo começa nos pés
Se os músculos dos pés estiverem corretamente envolvidos, então também os gémeos, as coxas, os músculos abdominais e os músculos das costas trabalham bem, a coluna fica na posição correta e a cabeça também não desvia para lado nenhum. Se está a hesitar em comprar estes sapatos descalços porque são caros e duram pouco, tendo em conta o rápido crescimento das crianças, então não hesite de todo. A criança pode vestir uma t-shirt da feira da ladra e calças de treino com os joelhos esgaçados, isso não tem qualquer problema do ponto de vista do desenvolvimento, mas nos pés é exatamente o contrário: os pés devem ser bem cuidados. Infelizmente, nem nós, adultos, nos apercebemos disso, e depois não atribuímos aos sapatos os problemas subsequentes de dores nas costas, tendões de Aquiles encurtados, dores de cabeça, etc. Por isso, ao escolher, não olhe para a marca nem para o design, mas para a funcionalidade; a criança agradecer-lhe-á no futuro.





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